Você está em

Novidades

14/06/2013

Remuneração ainda é estratégia de retenção no país

Engajar talentos por meio de treinamentos, promoção de mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional, disseminação da cultura corporativa. Estas são as prioridades para 2013 de 4,3 mil diretores de RH mundo afora, segundo pesquisa global da Michael Page realizada em 32 países. No Brasil, contudo, o cenário é um pouco diferente - não só em relação à Europa e aos EUA, mas também em comparação aos próprios vizinhos latinoamericanos.

Enquanto a maior preocupação das empresas da América Latina é preparar talentos por meio de treinamento e desenvolvimento, no Brasil as 171 companhias ouvidas têm priorizado engajar executivos de média e alta gerência pelo bolso. Para 57% dos diretores de recursos humanos brasileiros, a remuneração é vista como a principal estratégia de 2013. A necessidade de melhorar os processos de recrutamento e seleção foi apontada como fundamental por 51% dos profissionais. Somente em terceiro lugar no raking de urgências vem a capacitação das equipes, questão levantada por 50% dos gestores de recursos humanos do país. "Nos países em crise, o foco é melhorar a relação com os profissionais com o intuito de engajar os executivos. No Brasil, como a competição é por talentos, a remuneração é o principal meio de atração e retenção", explica Paulo Pontes, presidente do Page Group no Brasil.

No que compete à contratações, as economias emergentes se destacam. Na Rússia, primeira do ranking, 96% dos diretores de RH entrevistados afirmaram que irão aumentar o quadro de funcionários ao longo do ano. Em segundo lugar vem a Turquia (95%), seguida de China (94%). O Brasil divide a quarta posição com México e Estados Unidos (93%). Já os países europeus estão no fim da lista: Itália (63%), Portugal (62%), Espanha (60%) e Polônia (58%).

A pesquisa "Global HR Barometer 2013" também aponta que as empresas brasileiras estão investindo mais em programas de saúde e bem estar do que a média global, 47% contra 42%. Por outro lado, o home office é mais bem visto no mercado internacional. A média global de gestores que consideram o trabalho remoto uma ferramenta importante é de 27%, contra 15% no Brasil.

"Na Europa, por exemplo, o sistema de saúde já está consolidado e é acessível à maioria da população. No Brasil, as empresas precisam oferecer serviços médicos e de bem-estar dos funcionários como um diferencial na atração de talentos, pois o país carece de atendimento público adequado nesse segmento", diz Pontes.

Por conta do papel cada vez mais estratégico que os diretores de RH ocupam nas organizações de países com forte escassez de talentos, como o Brasil, a remuneração variável desses profissionais tem se tornado uma arma de retenção de talentos. Na Europa, América do Norte e Austrália, cerca de 40% dos dirigentes de RH recebem bônus de até 5% do salário anual. Na América Latina, por sua vez, um quarto das companhias oferecem variáveis de 20% ou mais. "Nas economias em crise, o papel desse gestor está mais ligado a processos, tendo em vista o momento de redução de custos das empresas. Já no Brasil, ele é mais estratégico e precisa desenvolver o capital humano para garantir o crescimento das operações", explica.

Fonte: Valor Econômico

By Doma Design